A Mulher na história

Por Maria Deosdédite Giaretta Chaves
Para nosso autoconhecimento, o saber sobre as mulheres primitivas, primordiais, tribais é quase fundamento. Primitivas , porque primeiras nas histórias orais narradas; primordiais porque nos deixaram cruciais ensinamento; tribais porque, humanas, comprovavam que o ser humano é antes de tudo um ser social. Foram elas , naquele tempo, anterior à idade do ferro, matriarcas, autoras de seus destinos, autoridades nas tribos, gestoras, livres, independentes, amazonas e, quando necessário, ferozes a ponto de correrem com os lobos.
Mas, o que se sabe é que governavam a si mesmas e aos homens com sabedoria, sensatez, alguma ternura, sintoma da maternidade, e com marcante discernimento. Por que os homens primitivos se submetiam às mulheres, naquele tempo, sim, poderosas? Porque eram sedutoras, e depois do ato de sedução, geravam crianças, davam a elas a luz, amamentavam, nutriam, educavam; tudo isso era visto pelos homens como o grande mistério feminino. Se elas eram senhoras da vida, pensavam eles, seriam também senhoras da morte
Por muitos milênios as mulheres foram vistas como deusas da vida e da morte. E quando o excesso de poder maculou-as, o masculino retoma o lugar na história do mundo, no exato momento em que se descobre a escrita. O mundo deixa de ser ágrafo e, daí em diante, é o homem quem comandará a ordem universal, escrevendo a narrativa humana do ponto de vista essencialmente masculino, descartando severamente qualquer fundamento de defesa da mulher. Hoje, sim , a mulher se reconhece e se retoma através de sabedorias ancestrais e do autoconhecimento.
O conhecimento se multiplica quando partilhado.
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